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Definindo Regras de Negócio: O que são elas, realmente?

postado em 13 de dez de 2012 05:58 por Antonio Plais   [ 27 de jul de 2013 12:06 atualizado‎(s)‎ ]
Uma rápida pesquisa na Internet pelo termo "regra de negócio" nos mostra que o termo ainda provoca muita discussão e dúvidas em relação ao seu real significado. As interpretações estão relacionadas desde ao negócio em si até discussões extremamente técnicas de implementação de serviços em alguma ferramenta de programação. Neste artigo procurarei descrever o termo "regra de negócio" com base nos conceitos apresentados pela OMG (Open Management Group).

A OMG é uma organização sem fins lucrativos dedicada ao desenvolvimento de padrões e disseminação de conhecimento ligados à área de Tecnologia da Informação e sua integração com os negócios. Entre os padrões mais conhecidos publicados pela OMG estão a linguagem UML, o padrão CORBA para definição de objetos e a linguagem XML, para intercâmbio de dados entre aplicações. Uma área também importante de atuação da OMG é o desenvolvimento de padrões voltados para a modelagem de negócios, onde se destacam os padrões BPMN, para descrição de processos e, mais recente, a SBVR, para descrição de regras de negócio.

Mas o que são "regras de negócio", no âmbito da OMG, e por que estabelecer um padrão de notação para descreve-las?

O conceito de "regras de negócio" começou a ser desenvolvido nos anos 1990, com a criação do GUIDE Business Rule Project, que posteriormente evoluiu para a criação do Business Rule Group. Sua declaração de princípios diz que "regras de negócio definem a estrutura e controlam a operação das empresas". Representam uma mudança na forma como descrevemos uma organização, deixando de lado o foco nos dados que a empresa usa e a organização dos processos que executa, para se concentrar nas restrições sob as quais as empresas operam. Uma "regra de negócio" é uma declaração que, explicitamente, define ou restringe um aspecto do funcionamento da empresa. Sob essa ótica, nada existe se não estiver definido em uma regra de negócio, e tudo é permitido se não houver uma restrição estabelecida em uma regra de negócio.

A SVBR (Semantics of Business Vocabulary and Business Rules) versão 1.0 foi publicada em Janeiro de 2008, depois de mais de 3 anos de estudos e consultas, contando com a participação dos maiores especialistas e estudiosos das áreas de arquitetura de negócios, engenharia de software, modelos de dados e outros. É uma linguagem "natural", com estruturação semântica precisa, destinada a ser usada, entendida e mantida por pessoas ligadas ao negócio, não por especialistas em TI ou por sistemas e linguagens de programação. A SVBR pode ser aplicada a mecanismos de regras e sistemas de computação, mas não é, em si, uma linguagem de programação. Toda a semântica da SVBR se baseia em alguns conceitos simples, mas poderosos:

Termo: um termo é uma palavra ou frase que define coisas, objetos, conceitos da vida real no contexto do negócio. "Empregado", "Cliente", "Pedido", são termos que devem ser definidos no contexto da organização que os emprega sob a ótica do negócio, não de um sistema que, eventualmente, os implemente. Por definição, um termo é, também, uma regra de negócio.

Ex: EMPREGADO é uma PESSOA que possui um CONTRATO DE TRABALHO com a ORGANIZAÇÂO

Note que a definição de um TERMO DO NEGÓCIO pode requerer a definição de outros termos para ser precisa. No exemplo acima, PESSOA é um termo genérico é não necessita maiores detalhamentos, mas CONTRATO DE TRABALHO pode precisar ser definido para evitar qualquer ambiguidade.

Fato: um fato estabelece uma associação entre termos definidos anteriormente, ou seja, uma relação existente entre dois ou mais termos, conectados através de verbos. Fatos podem ser  FATOS BASICOS (estabelecem uma assertiva) ou FATOS DERIVADOS (derivam de um valor calculado ou de outra regra de negócio)

Ex.: CLIENTE faz PEDIDO (ou, em contraposição, PEDIDO é feito por CLIENTE) - fato básico
        ÁREA DO QUADRADO é igual ao QUADRADO da medida do seu LADO - fato derivado
        CREDITO está APROVADO quando CLIENTE não tem DEBITO EM ABERTO na ORGANIZAÇÃO - fato derivado

Regra de negócio: uma regra de negócio estabelece as condições em que os fatos são válidos, ou as restrições que devem ser observadas no tratamento dos fatos.

Ex.: Um CLIENTE só pode fazer um PEDIDO se tiver seu CRÉDITO APROVADO

Note que a regra acima implica na existência de dois fatos: CLIENTE faz PEDIDO e CLIENTE tem CREDITO APROVADO



Referências: